A infraestrutura de transmissão e distribuição de energia elétrica no Brasil enfrenta hoje um gargalo estrutural. Não se trata de um problema isolado, mas da soma de três fatores que se reforçam entre si: capacidade física insuficiente para escoar a energia gerada, ativos que já ultrapassaram a vida útil regulatória, e um ritmo de expansão que não acompanha o crescimento da geração distribuída e das fontes renováveis. Este texto detalha cada um desses fatores com dados públicos do setor.

Capacidade física insuficiente

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta que os cortes de geração, conhecidos como curtailment, podem chegar a 40 gigawatts em determinados momentos até 2029, com restrição em 84% do tempo entre 9h e 15h59, período de maior geração fotovoltaica. O volume equivale à energia gerada por três usinas de Itaipu.

A causa central apontada pelo próprio ONS é o crescimento da geração distribuída, que já ultrapassa 38 gigawatts de capacidade instalada e deve atingir 58 gigawatts até 2029, operando sem supervisão direta do operador. Isso sobrecarrega os geradores despachados centralmente e expõe um limite físico real do sistema de transmissão para absorver a energia produzida.

Obsolescência dos ativos existentes

Parte relevante da infraestrutura elétrica brasileira já opera além do prazo regulatório previsto para substituição. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), 75% dos ativos da Rede Básica anteriores a maio de 2000 têm a vida útil regulatória encerrada, totalizando 85 mil equipamentos elegíveis para troca.

Na distribuição, o cenário segue a mesma direção. Segundo a ANEEL, por meio do Plano de Desenvolvimento da Distribuição (PDD) 2026, as distribuidoras investiram R$ 40,94 bilhões em 2025 e projetam R$ 257,93 bilhões entre 2026 e 2030. Desse total, R$ 47,61 bilhões serão destinados exclusivamente à renovação de equipamentos e instalações que atingiram o fim da vida útil ou sofreram avarias. Equipamentos além da vida útil apresentam maior risco de falha, maior custo de manutenção e menor eficiência operacional.

Ritmo lento de expansão

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta necessidade de investimento de R$ 73,6 bilhões em obras de transmissão ainda não autorizadas no Sistema Interligado Nacional até 2032, envolvendo 8,4 mil quilômetros de novas linhas. Parte da contratação prevista para 2025 já sofreu atraso por judicialização das regras iniciais do leilão.

O resultado é um descompasso: a demanda por escoamento cresce no ritmo da geração distribuída e das renováveis, enquanto a expansão física da rede segue um cronograma de anos entre planejamento, leilão e execução da obra.

Como a AH&A Engenharia pode ajudar

Os três fatores descritos têm um ponto em comum: dependem de diagnóstico técnico preciso antes de qualquer decisão de investimento ou operação. A AH&A Engenharia atua diretamente nessas frentes.

Em capacidade insuficiente e em expansão de rede, projetos de subestações e redes dimensionam a solução física para o gargalo identificado.

Em obsolescência de ativos, serviços de manutenção respondem diretamente aos equipamentos que já ultrapassaram a vida útil regulatória.

Como camada transversal aos três fatores, a fiscalização técnica identifica o risco antes que ele se converta em falha ou interrupção.